junho 5, 2026

Atibaia Connection

Encontre todos os artigos mais recentes e assista a programas de TV, reportagens e podcasts relacionados ao Brasil

Consumo de café cresce 2,44% no Brasil no início de 2026, com expectativa de safra recorde

Consumo de café cresce 2,44% no Brasil no início de 2026, com expectativa de safra recorde

A redução dos preços do café nos supermercados começou a refletir diretamente no hábito dos brasileiros. Após um período de forte alta nos valores do produto, o consumo voltou a crescer nos primeiros meses de 2026, impulsionado pela maior oferta da matéria-prima e pela expectativa de uma safra histórica no país.

Consumo de café reage após queda provocada pela inflação

O consumo de café no Brasil aumentou 2,44% entre janeiro e abril deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025. Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), foram consumidas cerca de 4,9 milhões de sacas de 60 quilos no quadrimestre.

A retomada ganhou força principalmente a partir de março. Naquele mês, o avanço no consumo chegou a 10,25% em relação a março do ano anterior. Em abril, o crescimento continuou, embora em ritmo mais moderado, com alta de 3,66%.

De acordo com o diretor executivo da Abic, Celírio Inácio, o setor começou 2026 ainda sentindo os efeitos da retração registrada no ano passado, mas os sinais de recuperação passaram a aparecer com mais intensidade nos últimos meses.

“O ano de 2025 foi bastante resiliente para a cafeicultura em geral e culminou com queda no consumo. Começamos o ano de 2026 ainda não recuperando totalmente, mas em março começamos a mostrar um crescimento maior”, afirmou.

Queda nos preços ajudou a impulsionar as vendas

Em 2025, o aumento expressivo dos preços do café afetou diretamente o bolso do consumidor brasileiro. Entre novembro de 2024 e outubro de 2025, o consumo caiu 2,31% na comparação com o período anterior.

Com a ampliação da oferta no mercado no início deste ano, os preços começaram a recuar. O café tradicional registrou queda de 15,51% em abril de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano passado. O quilo do produto passou a custar, em média, R$ 55,34.

READ  ANEEL aprova novas regras para armazenamento de energia e define cobrança pelo uso da rede elétrica

O movimento é considerado importante em um país onde o café faz parte da rotina diária da maioria das famílias, seja no café da manhã, no trabalho ou em encontros sociais.

Categorias que ainda tiveram alta de preços

Entre as oito categorias monitoradas pela Abic, apenas três apresentaram aumento nos preços ao consumidor:

  • Cafés especiais: alta de 16,9%;
  • Descafeinados: aumento de 21%;
  • Café solúvel: avanço de 0,55%.

Segundo especialistas do setor, os cafés especiais continuam sendo impactados pela demanda crescente e pelos custos mais elevados de produção.

Safra recorde pode reduzir ainda mais os preços

A expectativa da indústria cafeeira é positiva para os próximos meses. O presidente da Abic, Pavel Cardoso, afirmou que o Brasil poderá registrar em 2026 a maior safra de café da história, superando inclusive os números de 2020, até então considerados recordes.

“Em 2026 nós teremos uma safra maior do que a de 2025, com potenciais chances de ser maior do que em 2020, quando tivemos uma safra recorde. Havendo uma manutenção nessa expectativa de safra, a gente tende a ter um comportamento mais regular dessas plantações e, com isso, a indústria naturalmente deve transferir isso [essa queda nos preços] para o varejo”, declarou.

Para o setor, a combinação entre maior produção e redução da volatilidade dos preços tende a estimular novamente o consumo interno.

“Sendo regular esse comportamento e reduzindo-se a volatilidade, o entendimento é que a gente terá um comportamento de maior recuperação desse consumo ao longo do ano”, acrescentou Cardoso.

Produção nacional pode atingir maior volume da história

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) informou nesta quinta-feira (21) que a produção brasileira de café deverá crescer 18% na safra de 2026 em relação à temporada passada.

READ  Projeto de caça de sexta geração avança com contrato conjunto entre Japão, Itália e Reino Unido

A estimativa é de uma colheita de 66,7 milhões de sacas, número que pode representar o maior volume já registrado na série histórica da companhia. Caso a projeção seja confirmada, o resultado superará em 5,74% a safra recorde de 2020.

O desempenho reforça o papel do Brasil como maior produtor e exportador de café do mundo, além de indicar um cenário mais favorável tanto para produtores quanto para consumidores nos próximos meses.

Mercado aposta em recuperação gradual do consumo

Com preços mais estáveis e expectativa de maior oferta, o setor cafeeiro acredita em uma recuperação gradual do mercado interno ao longo de 2026. A tendência é que o consumidor brasileiro volte a ampliar o consumo da bebida, especialmente se os preços continuarem em trajetória de queda nos supermercados.

Para a indústria, a combinação entre safra robusta e estabilidade no mercado pode ajudar a consolidar um novo ciclo de crescimento para o café no país.