É um argumento jurídico familiar: uma empresa tecnológica dominante abusou do seu poder de mercado para intimidar parceiros da indústria, proteger o seu monopólio e impedir a concorrência.
O caso do Departamento de Justiça contra o gigante das buscas na Internet Google tem ecos inconfundíveis do histórico processo federal contra a Microsoft há um quarto de século. Tal como aconteceu com a Microsoft na altura, a Google é acusada de utilizar o seu poder de mercado esmagador para alienar injustamente potenciais clientes dos concorrentes.
O processo contra o Google refere-se ao caso da Microsoft e às táticas utilizadas por aquela empresa na década de 1990, quando foi acusada de tentar sufocar a concorrência nos primórdios dos navegadores de Internet. “O Google está a usar o mesmo manual”, declara o governo, ao usar ilegalmente o seu poder de pesquisa na Internet, tal como a Microsoft fez com o seu sistema operativo para computadores pessoais, o Windows.
Naquela época, se você quisesse se conectar à Internet, provavelmente o faria por meio de um computador Windows. Cerca de 90% dos computadores pessoais usam software Microsoft Windows, e a Microsoft controla os programas e serviços que aparecem nas telas dos computadores Windows.
Mas a Microsoft também foi chamada de forma diferente durante as declarações de abertura na terça-feira.
O principal advogado judicial do Google, John E. Schmidtlin, para focar a atenção do juiz na Microsoft – outra gigante da tecnologia, e não nos concorrentes menores do Google no mercado de buscas, como o DuckDuckGo.
Schmidtlin disse que o mecanismo de busca Bing da Microsoft está atrás do Google em participação de mercado, não por causa de métodos inadequados seguidos pelo Google, mas porque é um produto de qualidade inferior.
“A Microsoft não conseguiu investir e não conseguiu inovar”, em comparação com o Google, disse ele.
Bing, DuckDuckGo e Yahoo não são os únicos concorrentes do Google, disse Schmidtlin. Ele verificou os nomes de Wayfair, Walmart, Amazon e Overstock para compras, TripAdvisor, Booking.com, Hotels.com, Expedia para viagens, Doordash, Grubhub, UberEats e Yelp para entrega de comida.
Embora a teoria jurídica avançada pelo Departamento de Justiça contra o Google espelhe a teoria utilizada no caso da Microsoft, aquela era uma época diferente. Quando comecei a fazer experiências com a Microsoft, era o auge da euforia inicial da Internet. O comércio eletrônico estava apenas começando e todos os setores queriam aderir ao movimento digital. O primeiro BlackBerry, essencialmente um dispositivo de e-mail, foi lançado em 1999. O iPhone, que inaugurou a era dos smartphones, só chegou em 2007.
O caso da Microsoft acabou em acordo. O decreto de consentimento resultante impediu a empresa de impor contratos restritivos, liberou os fabricantes de computadores para baixar e destacar software de outras empresas e forçou a Microsoft a divulgar mais informações técnicas.
O principal beneficiário do ambiente mais aberto foi uma empresa start-up de pesquisa na Internet chamada Google, com novas tecnologias e um novo modelo de negócio mais tarde. Foi fundada em setembro de 1998, um mês antes do início do experimento da Microsoft.

Mariana Rodrigues é autora do Atibaia Connection e cobre notícias, política, negócios, tecnologia, esportes, entretenimento e estilo de vida. Seu foco é oferecer informações claras, atuais e relevantes, ajudando os leitores a acompanhar os principais acontecimentos e temas de interesse do dia a dia.

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