Descoberta inédita de molécula em nuvem interestelar pode ajudar a explicar como surgiram os blocos fundamentais da vida na Terra
Uma equipe internacional de astrônomos identificou, pela primeira vez, uma molécula de açúcar verdadeiro no espaço interestelar. A substância foi encontrada em uma nuvem de gás e poeira próxima ao centro da Via Láctea, em uma descoberta que pode contribuir para o entendimento sobre a origem da vida no planeta Terra.
O estudo foi publicado na revista científica Nature Astronomy e apresenta evidências da presença da eritrulose, um composto formado por quatro átomos de carbono. Segundo os pesquisadores, trata-se do primeiro açúcar genuíno já detectado fora do Sistema Solar.
O primeiro açúcar verdadeiro encontrado no espaço
A eritrulose pertence à mesma família química de outros açúcares essenciais para a vida. Essas moléculas desempenham funções fundamentais nos organismos vivos, fornecendo energia, participando da formação de estruturas biológicas e integrando componentes do material genético.
Na Terra, a eritrulose pode ser encontrada naturalmente em frutas como morango, framboesa e kiwi. Sua identificação em uma região do espaço interestelar reforça a hipótese de que moléculas orgânicas complexas podem se formar antes mesmo do surgimento de estrelas e planetas.
Diferença entre açúcares e moléculas semelhantes
Os cientistas já haviam detectado no espaço compostos relacionados aos açúcares, como o glicolaldeído. No entanto, essas substâncias não atendiam aos critérios químicos que definem um açúcar verdadeiro.
De acordo com os pesquisadores, um açúcar precisa possuir uma estrutura com pelo menos três átomos de carbono. Por isso, a descoberta da eritrulose representa um marco importante para a astroquímica e para os estudos sobre a formação de moléculas orgânicas complexas no universo.
Durante décadas, astrônomos vêm examinando nuvens moleculares em busca de compostos cada vez mais elaborados. A confirmação da presença da eritrulose demonstra que essas regiões podem abrigar uma diversidade química maior do que se imaginava.
O que a descoberta pode revelar sobre a origem da vida
As chamadas nuvens moleculares são consideradas os berços de estrelas e sistemas planetários. Nelas, gás e poeira interestelar se acumulam ao longo de milhões de anos, dando origem a novos corpos celestes.
Segundo os autores do estudo, a presença de açúcares nessas nuvens sugere que essas moléculas podem ser incorporadas a asteroides, cometas e outros objetos durante a formação de um sistema estelar.
Essa hipótese tem relevância especial para compreender a história da Terra. Evidências científicas indicam que o planeta passou por um intenso período de impactos de asteroides e cometas há cerca de quatro bilhões de anos, fase conhecida como bombardeio intenso tardio.
De acordo com Izaskun Jiménez-Serra, astrônoma do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC) e participante da pesquisa, esses corpos celestes podem ter transportado moléculas orgânicas importantes para a superfície terrestre, incluindo compostos relacionados aos açúcares.
Possível papel na formação do DNA e do RNA
Os resultados chamaram a atenção da comunidade científica porque a eritrulose pode ter servido como matéria-prima para versões primitivas dos componentes que deram origem ao DNA e ao RNA modernos.
Essas moléculas são consideradas essenciais para a existência da vida, pois armazenam e transmitem informações genéticas em todos os organismos conhecidos. A descoberta fortalece a ideia de que alguns dos ingredientes necessários para o surgimento da vida podem ter sido produzidos no espaço e posteriormente entregues a planetas jovens por meio de cometas e asteroides.
Uma nova peça no quebra-cabeça da vida no universo
A identificação da eritrulose no espaço interestelar representa um avanço importante na busca por compreender como moléculas complexas surgiram no cosmos. Embora a descoberta não indique a existência de vida fora da Terra, ela oferece novas pistas sobre os processos químicos que podem ter contribuído para o aparecimento dos primeiros sistemas biológicos em nosso planeta.
Com o desenvolvimento de telescópios cada vez mais sensíveis, os cientistas esperam encontrar moléculas ainda mais complexas em diferentes regiões da galáxia, ampliando o conhecimento sobre a origem da vida e a evolução química do universo.

Hugo Fernandes é autor do Atibaia Connection e cobre notícias, política, negócios, tecnologia, esportes, entretenimento e estilo de vida. Seu foco é oferecer informações claras, atuais e relevantes, ajudando os leitores a acompanhar os principais acontecimentos e temas de interesse do dia a dia.

More Stories
Lua hoje: veja a fase da Lua nesta terça-feira, 2 de junho de 2026
Satélites da missão Artemis II lançados com sucesso antes da viagem à Lua
Asteroide vai atingir a Lua em 2032? NASA atualiza cálculos após novas observações