A decisão da Casa Branca de restringir o acesso aos modelos de inteligência artificial Mythos e Fable 5, da Anthropic, teria sido motivada, ao menos em parte, pela suspeita de que um grupo ligado à China conseguiu acessar o sistema Mythos. A informação foi divulgada pelo site americano Semafor, que cita uma fonte familiarizada com o assunto.
Na sexta-feira (13), o governo do presidente Donald Trump determinou que a Anthropic limitasse o acesso aos dois modelos apenas a cidadãos americanos. Em resposta, a empresa optou por retirar completamente os modelos do mercado. Segundo informações do Wall Street Journal, o bloqueio teria ocorrido após um alerta feito pelo CEO da Amazon, Andy Jassy, às autoridades americanas.
O Mythos foi lançado em abril com acesso restrito a um pequeno grupo de empresas autorizadas a utilizá-lo para testes de vulnerabilidade e segurança. A Anthropic buscava evitar que as capacidades avançadas do sistema fossem exploradas por hackers ou organizações mal-intencionadas.
A preocupação do governo americano seria de que um eventual acesso por parte da China pudesse representar ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos. Além disso, autoridades temem que o modelo pudesse ser utilizado em um processo conhecido como “destilação”, no qual empresas extraem capacidades de uma IA avançada para treinar sistemas concorrentes.
Até o momento, não há detalhes públicos sobre como a Casa Branca teria descoberto o suposto acesso ao Mythos, qual organização estaria envolvida ou de que maneira o sistema teria sido obtido.
David Sacks detalha posição do governo
Neste sábado (13), o conselheiro de inteligência artificial da Casa Branca, David Sacks, comentou o caso em uma publicação na rede social X. Sacks, que já criticou publicamente a Anthropic em outras ocasiões, afirmou que o governo foi alertado sobre a possibilidade de o modelo Fable 5 sofrer um “jailbreak”, técnica usada para contornar restrições de segurança de sistemas de IA.
Segundo ele, quando o governo notificou a Anthropic sobre a vulnerabilidade, o CEO da empresa, Dario Amodei, teria minimizado o problema e recusado a implementar uma correção imediata.
“A Anthropic priorizou a oferta contínua do modelo ao consumidor em vez da segurança”, escreveu Sacks na publicação. O conselheiro acrescentou que as restrições impostas pela Casa Branca ocorreram “com relutância” e afirmou que “a bola está no campo da Anthropic”.
A postagem de Sacks também buscou afastar especulações de que disputas anteriores entre a empresa e o governo Trump tenham influenciado a decisão. Nos últimos meses, a Anthropic entrou em conflito com autoridades americanas em temas relacionados à regulamentação estadual de inteligência artificial e em uma ação judicial envolvendo o Pentágono.
Anthropic nega relação com suspeita chinesa
A Anthropic contestou a versão apresentada por fontes ligadas ao governo. Em declaração ao Semafor, um porta-voz da empresa afirmou que a Casa Branca nunca mencionou qualquer suspeita de acesso chinês ao Mythos durante as discussões sobre jailbreaks e controles de exportação.
A empresa também reiterou que proíbe o acesso aos seus produtos a partir da China e mantém políticas de segurança para impedir uso indevido de seus modelos.
O episódio ocorre em meio ao aumento da tensão entre Estados Unidos e China na disputa tecnológica envolvendo inteligência artificial avançada. O governo americano vem reforçando restrições sobre exportação de chips, softwares e tecnologias consideradas estratégicas, especialmente após o crescimento acelerado de empresas chinesas do setor.
Especialistas avaliam que o caso envolvendo a Anthropic pode representar um novo capítulo na corrida global pela liderança em IA, área considerada prioritária tanto para segurança nacional quanto para competitividade econômica.

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