A imagem pública dos paleontólogos como acadêmicos empoeirados e amigáveis pode ser devido a uma atualização. Os cientistas dizem que o estudo da vida antiga é um foco de práticas científicas antiéticas e injustas enraizadas no colonialismo, que despoja os países pobres de sua herança fóssil e desvaloriza as contribuições de pesquisadores locais.
Escrevendo na revista Sociedade Real de Ciência Abertauma equipe internacional de paleontólogos argumenta que houve uma drenagem contínua de plesiossauros, pterossauros, aranhas pré-históricas e outros fósseis de países pobres para repositórios estrangeiros ou coleções particulares locais – apesar das leis e regulamentos que foram introduzidos para tentar preservar seu patrimônio.
Por exemplo, na Bacia do Ararib, no nordeste do Brasil – uma área famosa por uma enorme coleção de fósseis pré-históricos bem preservados, incluindo pterossauros alados gigantes – 88% dos fósseis descobertos estão agora em coleções de museus estrangeiros.
Juan Carlos Cisneros, da Universidade Federal do Piauí, Brasil, e colegas examinaram as publicações de fósseis descobertos no Brasil e no México nas últimas três décadas. Esses países contêm bacias sedimentares grandes e relativamente inexploradas que abrigam uma grande variedade de organismos fossilizados, plantas e fungos.
Apesar da introdução de licenças estritas para realizar trabalhos de campo científicos ou a exportação de fósseis do Brasil, e uma proibição permanente de sua exportação, as declarações de licenças muitas vezes faltavam nos espécimes estudados, e muitos estudos eram baseados em fósseis encontrados ilegalmente em coleções estrangeiras— particularmente na Alemanha e no Japão – descobriram os pesquisadores.
A exclusão de especialistas locais foi outro problema comum. Por exemplo, 59% das publicações sobre as escavações do Araripe foram lideradas por pesquisadores estrangeiros, e mais da metade não apresentou evidências de colaboração com pesquisadores brasileiros locais – outra exigência legal.
Eles argumentaram que tais práticas equivalem à colonização científica, com países de baixa renda vistos principalmente como fontes de dados ou amostras para países de alta renda, ignorando estruturas legais e negligenciando ou negligenciando as contribuições de pesquisadores locais.
“O colonialismo pode não ser o que pensamos quando imaginamos navios do século 19 cruzando o Atlântico, mas ainda é uma forma moderna de neocolonialismo onde lidamos com extração e exploração para nosso próprio ganho às custas de baixa renda”, disse Emma Dunn, paleobiólogo da Universidade de Birmingham e coautor do artigo.
A equipe acrescentou que isso dificulta o desenvolvimento científico local e esgota os recursos que poderiam apoiar atividades econômicas de longo prazo, como o turismo.
“Acho que muitas vezes somos considerados personagens fofos que vestem roupas de Indiana Jones e certamente não podem fazer mal nenhum. Mas, na verdade, Indiana Jones é um bom exemplo: uma de suas frases famosas foi ‘Isso pertence a um museu. ‘—mas o que ele quer dizer é o museu dele, não um museu no país de onde ele coleciona coisas.
“Gostaríamos que as pessoas mudassem a maneira como trabalham, para realmente se concentrar na criação de verdadeiras parcerias construídas no respeito pelas comunidades locais e seus interesses.”
A equipe também pediu diretrizes de periódicos mais rígidas e educação sobre ética em pesquisa, maior aplicação das leis de escavação e sanções contra aqueles envolvidos em práticas antiéticas. Finalmente, os fósseis devem ser devolvidos às comunidades de onde foram retirados, disseram.

Mariana Rodrigues é autora do Atibaia Connection e cobre notícias, política, negócios, tecnologia, esportes, entretenimento e estilo de vida. Seu foco é oferecer informações claras, atuais e relevantes, ajudando os leitores a acompanhar os principais acontecimentos e temas de interesse do dia a dia.

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