Água e vida. É intrigante como essas duas palavras estão sempre relacionadas. Das margens do rio Nilo surgiu o Egito, das margens do rio Tibre surgiu Roma e das margens do rio Atibaia surgiu a nossa homônima e amada cidade.

Desconsiderando a deslealdade de tamanha comparação, usada puramente para contextualizar a relevância dos rios perante as civilizações que os margeiam, é certo que poucos dão a eles a importância que merecem.

Antigamente os rios, desde os mais mirrados até os mais corpulentos, eram alvos das mais nobres considerações, pois forneciam o leito e o sustento daqueles que o circundavam, contudo hoje ninguém sequer se recorda de que, em seu âmago, os rios são o berço da civilização como nós conhecemos. Com o rio Atibaia não é diferente.

Desde Jerônimo de Camargo e seus compatriotas bandeirantes, os quais ajoelhavam-se perante suas margens para matar a sede e seguir rumo ao desbravamento das matas virgens, até os que hoje o observam com desdém, o leitoso rio já foi extremamente importante para o desenvolvimento socioeconômico da região. Ao longo dos séculos ele serviu de sustento para diversas comunidades que se serviam da pesca e do extrativismo e, embora muitos não saibam, ele também foi responsável por ajudar o desenvolvimento de toda a região Bragantina, visto que antes do surgimento das rodovias, era ele o responsável pelo escoamento da maior parte dos produtos gerados nas redondezas, o que foi essencial para erguer economicamente a sociedade local.

Nascido da junção entre os rios Atibainha e Cachoeira, o rio Atibaia percorre Bom Jesus dos Perdões, Atibaia, e diversos municípios até juntar-se ao rio Jaguari para formarem o rio Piracicaba; e por maior que tenha sido a sua importância ambiental e socioeconômica, hoje em dia ele é um dos que mais sofrem com a instalação do Sistema Cantareira.

ANA – Sistema Cantareira

Um estudo, realizado por pesquisadores do centro de energia nuclear da agricultura, comprovou que as vazões médias do rio Atibaia foram reduzidas após a entrada em operação do sistema Cantareira em 1974. Este mesmo estudo aponta que, entre 1947 e 1996, o volume de água do rio Atibaia caiu entre 14,5% e 18,5%. Porém não é só o sistema Cantareira que contribui para este processo, o desmatamento ciliar e o uso inadequado do solo está causando o assoreamento e a destruição de suas nascentes.

Até mesmo uma criança consegue entender a importância da água para a manutenção da vida, contudo pouco se vê de concreto quando o assunto é o devido cuidado e manutenção dos nossos rios, não somente para o proveito da água potável, como também para a continuidade da vida ribeirinha e, caso a população não tome as devidas providências, sejam elas referentes ao consumo sustentável da água, ao descarte de resíduos sólidos e líquidos ou à pesca predatória às margens do Atibaia, água e vida já não serão palavras tão relacionáveis entre si.

Matéria da redação

Deixe uma resposta