De 27 de julho a 28 de outubro de 2019, a Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo apresenta a exposição Marepe: estranhamente comum. Com curadoria de Pedro Nery, curador do museu, trata-se da primeira grande exposição individual do artista baiano em São Paulo que propõe oferecer uma visão abrangente de sua trajetória, iniciada na década de 1990. O conjunto de 30 obras evoca poeticamente uma memória pessoal que se entrelaça à sua cidade natal. A exposição tem patrocínio do Credit Suisse e Engeform e apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e Pro-mac.

Marepe (Marcos Reis Peixoto) nasceu na cidade de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, em 1970. Situada a leste da Baia de Todos os Santos, conecta o sertão ao mar, tornando-se importante eixo por onde passam as mais diversas mercadorias, de materiais de construção a alimentos. A partir desse vai-e-vem de objetos e pessoas, além da própria história familiar, o artista extrai e elabora suas obras.

Marepe, Palmeira Doce, 2001, still do vídeo, cortesia do artista (Reprodução)

No processo, Marepe se vale de procedimentos recorrentes da arte contemporânea como o acúmulo e a retirada de objetos de suas funções cotidianas. No entanto, suas obras sugerem dimensões especulativas, alterando a escala, a forma e significado de materiais encontrados ali, para daí criar peças oníricas. Para organizar sua retrospectiva na Pinacoteca, a curadoria destacou três verbos, ou atos simbólicos, aos quais o artista recorre com constância em sua trajetória: movertransformar econdensar. “Os verbos não são pensados como algo fechado, e sim como elemento guia, permitindo aprofundar o olhar simbólico que as próprias obras sugerem“, explica Nery.

Em Mover, estão reunidos trabalhos que demonstram, por exemplo, a ação fundamental da prática de Marepe que é a retirada do objeto de seu circuito usual – comercial, urbano ou produtivo – para inseri-lo no campo artístico.  O que o artista move não são simples objetos, mas coisas que se relacionam com seu passado e a vida ao seu redor. Daí a ideia da mobilidade como eixo estrutural das obras que ali se apresentam a exemplo de Mudança (2005) e Embutido Recôncavo (2003). Feitas com móveis de madeira e apresentadas juntas, elas repensam o movimento das próprias formas e das vidas de pessoas que se deslocam de maneira precária.

Já Periquitos (2005) é uma peça que remete a esse ambiente doméstico e que traz um movimento de escala e de desproporção ao apresentar uma televisão agigantada, desestabilizando, assim, a convenção deste objeto tão familiar. “É interessante pensar nesse desajuste em que existe uma casa, no caso de Embutido Recôncavo, onde a televisão não cabe. O ato de mover é, em Marepe, mudar tudo de lugar, desintegrar as relações que parecem ser ordinárias. É tirar do lugar o que convencionamos acreditar ter ordem, para procurar a própria realidade que subjaz ao nosso redor”, define o curador. Essa é a primeira montagem da peça no Brasil, originalmente pensada para sua apresentação na individual do artista no Centre Pompidou, em Paris.

Obra do artista Marepe (Reprodução: Galerie Max Hetzler)

Em Transformar, são expostos trabalhos cujos objetos de composição sugerem um novo arranjo narrativo. Neste sentido, O retrato de Bubu (2005), pertencente ao acervo da Pinacoteca, traz a imagem do avô do artista que, em sua primeira apresentação para a mesma individual no Pompidou, foi pendurado ao lado do retrato de Georges Pompidou, na entrada daquele museu, em Paris. Ao sustenta-los, sob a mesma linguagem, o artista coloca o ex-presidente e seu avô Bubu em pé de igualdade. Aqui, o ato de transformar se dá na medida que o artista relativiza a ordem social, pessoal e geográfica.

E, por fim, em Condensar, estão reunidos trabalhos que beiram a livre associação, revelando o desejo do artista de compor ideias díspares com recursos simples, oferecendo uma materialidade à serviço da imaginação. Exemplo disso são as imagens Doce céu de Santo Antônio (2001), em que o artista é visto de baixo para cima retirando um pedaço de algodão-doce contra o azul do céu e trazendo para sua boca, comendo um pedaço de nuvem desse céu doce imaginado, trazendo, literalmente, o sonho para a realidade.

Também é o caso da obra Chorinho (2009), feita com carretéis de linha de costura azuis suspensas, que caem fio por fio em tonalidades diferentes até o chão. “Chorinho é uma expressão direta da palavra-ideia e de sua formalização plástica, esses fios que escorrem como lágrimas e caem sobre o chão”, explica Nery. “As obras de Marepe parecem respeitar algumas ações bastante reguladas ao longo de toda a trajetória. O que muda é a forma de interpretar o mundo ao seu redor, e então surge uma nova obra que nos obriga a reinterpretar tudo à nossa volta”, finaliza.

Pinacoteca de São Paulo (Reprodução)

CATÁLOGO

Marepe: estranhamente comum é acompanhada de um catálogo que inclui apresentação do diretor geral da Pinacoteca Jochen Volz, texto introdutório ao artista pelo curador Pedro Nery, ensaios de Raphael Fonseca e Yan Braz, além de uma cronologia crítica por Thierry Freitas. O volume tem cerca de 60 imagens que ilustram os trabalhos mais importantes da trajetória do artista. Português e inglês.

SERVIÇO

Marepe: estranhamente comum

Curadoria de Pedro Nery

Abertura: 27 de julho de 2019, sábado, às 11h

Visitação: 27 de julho a 28 de outubro de 2019

De quarta a segunda, das 10h às 17h30 – com permanência até as 18h

Pina Estação -Largo General Osório, 66, 4º andar – Luz

Gratuita todos os dias.

Acesso para cadeirante

Wifi aberto ao público

Estacionamento pago

Possui café no térreo

Informações à Imprensa:

THAIS GOUVEIA

Assessora de Imprensa | Press Officer

Pinacoteca de São Paulo

+55 11 3335-5367

+55 11 99110-9380

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