Em 20 de novembro é celebrado, no Brasil, o Dia da Consciência Negra, e essa é mais uma oportunidade de refletir sobre educação antirracista. Embora a Lei 10.639/03 determine que as escolas devam incluir em seus currículos fundamentos de histórias e culturas africanas, muitos educadores ainda se questionam sobre como rever as narrativas que esses espaços têm perpetuado e como ressaltar a importância da cultura afro brasileira nas escolas. Experiências bem-sucedidas nesse âmbito estão contadas no capítulo “Problemas na escola eu tenho mil, mil fitas: corpos e vozes numa educação intercultural”, que faz parte do livro digital gratuito “Criatividade – mudar a educação, transformar o mundo“, organizado pelo programa Escolas Transformadoras , correalizado no Brasil pela Ashoka e pelo Instituto Alana.

Foto: Reprodução

Escrito pela professora e historiadora Priscila Dias, essa experiência apresenta questionamentos vivenciados por ela durante seus anos de formação básica, quando percebeu o silêncio frente ao racismo e às tradições e costumes de povos afrodescentes. Sua experiência pessoal como criança negra despertou sua vontade de mudar essa realidade ao assumir, anos depois, a docência em uma escola periférica da Rede Estadual de Ensino de São Paulo, que concentrava um público majoritariamente composto por afrodescentes, migrantes e estudantes enquadrados como alunos-problema. Ali foi o ambiente ideal para realizar uma experiência crucial como pesquisadora e pessoa: os Círculos Narrativos, uma dinâmica que propõe transformar as aulas em momentos livres de diálogo e reflexões.

Durante os encontros, os jovens eram estimulados a se conectar com suas raízes e a desconstruir a imagem de que educação é aceitar, passivamente, aquilo que lhes é imposto. A ideia era que eles assumissem seu lugar de sujeitos críticos e coautores dos próprios processos de ensino-aprendizagem para romper, por completo, com a não representatividade e opressão. “Por que a escola ignora a cultura dos seus alunos negros?”, “Para que ela insiste em ensinar o que não lhes interessa e de uma forma que os esmaga?”: esses questionamentos feitos nos Círculos se estenderam para conversas com as famílias, que também ansiavam por um espaço de encontros, reconhecimento e troca verdadeiros, sem segregação ou mutilação cultural.

Arte ilustrativa do livro (Reprodução)

“Essa experiência alimentou minhas práticas educativas dentro e fora da sala de aula. Na minha prática diária como educadora, vejo que a monocultura do saber é o pano de fundo da crescente violência nas escolas frequentadas por jovens economicamente pobres ou de famílias de migrantes e imigrantes. Reconheço, com outros pesquisadores, que ela está na base dos altos índices de evasão escolar mas vejo, também que, felizmente, têm surgido propostas pedagógicas que apontam saídas para essa armadilha, sustentando a necessidade de descentralizar o saber para além da cultura letrada e apontando caminhos para uma educação intercultural”, avalia Priscila Dias.

“Criatividade – mudar a educação, transformar o mundo”
Escrito por estudantes, professores, gestores de escola, pesquisadores, profissionais do setor social e professores universitários, o livro digital aborda a importância da criatividade – uma das dez competências gerais estabelecidas pela Base Nacional Comum Curricular – na superação de desafios na educação e na sociedade. Os capítulos abordam o tema propondo reflexões inspiradas nas experiências relatadas pelos 43 autores e autoras, que assinam os 16 textos da publicação. O e-book já está disponível para download gratuito no site do Escolas Transformadoras. Acesse aqui.

Arte ilustrativa do livro (Reprodução)

Sobre a Ashoka
A Ashoka é uma organização social global fundada em 1981 que congrega quase quatro mil empreendedores sociais em 92 países, e busca colaborar na construção de um mundo de pessoas que transformam (Everyone a Changemaker), no qual qualquer pessoa pode desenvolver e aplicar as habilidades necessárias para solucionar os principais problemas sociais de hoje e de amanhã.

Sobre o Instituto Alana
O Instituto Alana é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, que aposta em programas que buscam a garantia de condições para a vivência plena da infância. Criado em 1994, é mantido pelos rendimentos de um fundo patrimonial desde 2013. Tem como missão “honrar a criança”.

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Novembro / 2019

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