Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2018 indicam que o Brasil tem 11,3 milhões de analfabetos entre a população de 15 anos ou mais. Para mudar a realidade desses brasileiros e brasileiras e, de fato, celebrar o Dia Nacional da Alfabetização – em 14 de novembro -, educadores e educadoras do CIEJA Campo Limpo, em São Paulo (SP), contam como é possível pensar em uma educação integral, democrática e inclusiva para jovens e adultos no artigo “No fio da memória: o CIEJA Campo Limpo e sua linha do tempo”, que faz parte do livro digital “Criatividade – mudar a educação, transformar o mundo”, organizado pelo programa Escolas Transformadoras, correalizado no Brasil pela Ashoka e pelo Instituto Alana.

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O CIEJA Campo Limpo não é apenas uma escola pública com mais de 20 anos de história, mas berço e abrigo de inovações pedagógicas. A escola atende pessoas com 15 anos ou mais e que não tenham completado o ensino básico. Para incluir esse público que quer retomar e concluir os estudos, a escola propõe a integração entre todos: as mesas são coletivas, para que todos interajam; os estudos são modulares para que os estudantes possam aprender conforme as habilidades já adquiridas em suas trajetórias de vida; não há disciplinas, o aprendizado foca em áreas integradas de conhecimento; os conteúdos não são impostos, mas propostos e escolhidos com a participação dos estudantes; e os horários são flexíveis, para que cada pessoa possa transitar de acordo com seu tempo, alinhando trabalho, vida e estudos.

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Esse sistema de ensino que contribuiu com a formação de mais de 1.500 estudantes, sendo 230 com deficiência, não surgiu do dia para a noite. Foram anos de questionamentos sobre a metodologia de ensino, que culminou em transformações profundas para que a escola chegasse ao modelo atual. O método apostilado – considerado injusto pelos educadores por “premiar” os alunos com boa memória e “condenar” os demais a uma crescente defasagem – foi substituído após uma escuta feita com os próprios estudantes. E, assim, com muita criatividade, poucos recursos e nenhum medo de errar, a mudança foi feita. Os desafios ainda são imensos, mas servem de estímulo para que a equipe pedagógica siga experimentando soluções para educar, cada vez mais, pessoas que vinham excluídas do direito à educação.

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“Se há uma coisa boa no CIEJA-CL, é que não temos medo de errar e estamos sempre prontos a reconhecer, com toda a humildade, que algo não deu certo. Se algo não funciona, simplesmente revertemos a mudança, e sempre fica a possibilidade de, na tentativa seguinte, aproveitarmos o que se aprendeu com o erro. Por isso, todo ano começamos avaliando o ano anterior para pensarmos o que fazer no novo, discutindo as falhas e suas possíveis soluções”, explicam os autores do artigo Eda Luiz, pedagoga que fez parte da escola por duas décadas; Diego Elias, o atual diretor da escola; e as professoras Karen Carreiro e Paola Russano.

“Criatividade – mudar a educação, transformar o mundo”

Escrito por estudantes, professores, gestores de escola, pesquisadores, profissionais do setor social e professores universitários, o livro digital aborda a importância da criatividade – uma das dez competências gerais estabelecidas pela Base Nacional Comum Curricular – na superação de desafios na educação e na sociedade. Os capítulos abordam o tema propondo reflexões inspiradas nas experiências relatadas pelos 43 autores e autoras, que assinam os 16 textos da publicação. O e-book já está disponível para download gratuito no site do Escolas Transformadoras. Acesse aqui.

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Sobre a Ashoka

Ashoka é uma organização social global fundada em 1981 que congrega quase quatro mil empreendedores sociais em 92 países, e busca colaborar na construção de um mundo de pessoas que transformam (Everyone a Changemaker ), no qual qualquer pessoa pode desenvolver e aplicar as habilidades necessárias para solucionar os principais problemas sociais de hoje e de amanhã.

Sobre o Instituto Alana

Instituto Alana é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, que aposta em programas que buscam a garantia de condições para a vivência plena da infância. Criado em 1994, é mantido pelos rendimentos de um fundo patrimonial desde 2013. Tem como missão “honrar a criança”.

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Novembro / 2019

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