“Da Desordem Que Não Anda Só” é uma peça teatral paulistana ganhadora da segunda edição do Prêmio Zé Renato de Teatro e também do PROAC Circulação 2017. Com texto inédito no Brasil do escocês David Anderson, a peça tem direção de Carlos Baldim e propõe o encontro entre a Cia. Provisório-Definitivo e a Artera Companhia de Teatro para a idealização, realização e produção do espetáculo.

No palco, o elenco composto por Andrea Tedesco, Anna Cecilia Junqueira, Paula Arruda, Pedro Guilherme e Ricardo Corrêa dá vida aos narradores e personagens da história de Stevie, um garoto portador da Síndrome de Asperger, que sofre com a ausência do seu pai e com a dificuldade de se relacionar com o mundo. A mãe, Maureen, não tem tempo para cuidar dos filhos. Um dia, Julie, a irmã, resolve sair escondida, descumprindo o combinado com sua mãe. Preocupado com o paradeiro da irmã, Stevie decide procurá-la, mas acaba indo parar em um parque de diversões e, sem intenção, causa um grande acidente: ele acredita ter se tornado um assassino. A partir daí, inicia-se uma história permeada de encontros e desencontros que mistura ficção, realidade e poesia, na qual Stevie procura compreender, solitário, as consequências dessa intensa e transformadora travessia.

David Anderson oferece uma dramaturgia contemporânea, que instigou uma encenação que a acompanhasse nessa experimentação de linguagem, propondo a mistura de elementos épicos e dramáticos, e utilizando o espaço cênico com uma mescla de teatro e cinema.

A temática é, sobretudo, universal. A partir do mundo particular desse garoto, o expectador pode enxergar o seu próprio mundo. Superar traumas e medos, separações e ausências e a morte. Tudo isso com a inerente individualidade que cada um carrega em si. “A síndrome de Asperger é assim uma grande peculiaridade da personagem para mostrar o que a sociedade tem dificuldade de admitir: diferença e a diversidade fazem parte do humano. Por portar uma doença, por pensar ou sentir desta ou daquela maneira, pelas escolhas que são feitas, e, apesar das semelhanças, não existe um ser humano igual ao outro. Exaltar a beleza e importância disso é um dos motores desse projeto tanto para a Artera de Teatro, quanto para a Cia. Provisório-Definitivo.”, comenta a atriz Paula Arruda.

É traço marcante dos dois grupos essa temática. Em peças infantis, jovens e adultas essas Companhias investem em histórias que salientam a importância da individualidade em todas as questões que nos desafiam na relação com o outro e com o mundo: relacionamento, escolhas, sexualidade, sonhos, perdas, moral e ética, tolerância, intolerância e comportamento.

A união desses dois grupos vem também corroborar para outro traço marcante do texto: a co-dependência. “Da Desordem Que Não Anda Só” nos mostra que somos seres individuais interligados um ao outro não por uma pretensão altruísta de solidariedade, mas porque assim funciona a natureza, inclusive a natureza humana quer se queira isso ou não.  Assim, admitir a importância da individualidade, nos abre as portas para admitirmos o que muitos consideram paradoxalmente oposto: a importância da convivência.”, acrescenta o diretor Carlos Baldim.

Os desafios propostos para Stevie são no fundo também os desafios de todas as personagens. As desordens que acontecem pela ausência do pai, pela falta de dinheiro da mãe, pelas dificuldades de comunicação de Stevie oriundas da Síndrome, pelo despertar da sexualidade de Julie, não são só de um, mas de todos os envolvidos. A síndrome faz com que Stevie tenha dificuldades em expressar o que sente e, assim, pedir auxílio, porém, todos precisam da compreensão dos outros em relação aos seus problemas. Todos precisam da cumplicidade. Do amparo. Compreender as dificuldades de um, é compreender também a sua dificuldade. E, solucionar o problema interna e externamente, só é possível aprendendo a partilhá-lo.

Além da apresentação, será realizado um intercâmbio com a Cia Artaud de Wellington Duran às 15h no Centro de Convenções. Esse encontro, também gratuito, faz parte do projeto de circulação idealizado pela Cia Provisório-Definitivo para o PROAC Circulação 2017. Nele serão discutidas questões sobre o fazer teatral e modos de produção de ambos grupos. Um espaço de troca aberto ao público.

Serviço

Data: 24 de fevereiro de 2018

Horário: 20h

Local: Centro de Convenções e Eventos Victor Brecheret – Alameda Lucas Nogueira Garcez, 511, Vila Thais – Atibaia – SP

Duração: 80 minutos

Valor dos ingressos: Gratuito

Intercâmbio: 15h no mesmo local da apresentação, aberto ao público em geral.

Ficha Técnica:

Texto: Davey Anderson.

Tradução: Caio Badner.

Direção: Carlos Baldim.

Elenco: Andrea Tedesco, Anna Cecilia Junqueira, Paula Arruda, Pedro Guilherme, Ricardo Corrêa.

Vídeo design: Zeca Rodrigues.

Figurino: Maitê Chasseraux.

Iluminação: Fran Barros.

Música original: Dan Maia.

Cenário: Carlos Baldim e Cesar Resende de Santana (Basquiat).

Assistência de direção: Mariana Leme.

Assistência de vídeo: Nanda Cipola.

Fotos: Julio Salvo.

Programação visual: Ana Leo.

Produção: Paula Arruda e Pedro Guilherme.

Realização: Cia. Artera e Cia. Provisório Definitivo