Ao longo do mês de abril, as exibições do Cine Garagem irão se dedicar à Mostra de Cinema Indígena. Serão cinco sessões, às quintas e aos domingos, sempre às 19h30.

(Foto: Produtora Midtrack)

A mostra foi aberta na última quinta-feira, dia 04 de abril, com a exibição do filme “Bicicletas de Nhanderú”, uma imersão no mundo Mbya-Guarani, com todos seus dilemas, na aldeia Koenju, em São Miguel das Missões no Rio Grande do Sul.

Todas as sessões são gratuitas com colaboração espontânea. O Edith Cultura localiza-se na Rua Cel. João Leme, 229, Centro, em Bragança Paulista.

(Foto: Produtora Midtrack)

Um convite para pensar a construção do Brasil
(texto de Anahy Verde)

Qualquer pessoa que se disponha à resistir no Brasil deve dedicar sua atenção aos povos indígenas. Sistematicamente marginalizados há séculos, suas histórias de conflito se repetem ao longo de gerações e territórios. Lidando coletivamente com a expropriação das bases de suas culturas e o risco do apagamento de sua história, lhes é negado o direito à cidadania, o respeito pela diferença. Organizam-se, resistem, ainda assim. Com a Mostra de Cinema Indígena, procuramos evocar uma reflexão sobre os tipos de relações sociais envolvidas na confecção dessa malha, que une todos nós.

Foto: Reprodução

Produções atuais, os filmes são trabalhos realizados por parcerias entre indígenas e não-indígenas. Para o público não-indígena, o contato permite acesso à um universo muitas vezes desconhecido, narrado com propriedade e retratado de forma sensível. Perceber a ignorância em relação aos diversos povos que habitam este país revela como não há entre nós uma cultura brasileira de valorização das culturas indígenas (ainda que nos esforcemos em promover essa imagem mundo afora).

Projetos como o Vídeo nas Aldeias trabalham por uma nova construção da imagem, instrumentalizando grupos para que possam compartilhar suas experiências com o mundo através do audiovisual. Entre si, a mobilização gerada causa uma renovação nas formas de comunicação entre as tribos e de transmissão das histórias e tradições. Ao prestigiar essas narrativas, damos lugar a um entendimento mais profundo sobre os contextos que habitam(os).

É necessário compreender nossos lugares de responsabilidade em todas as instâncias possíveis. Revisar a História e trazer a tona os mecanismos de produção de desigualdade que perpetuaram relações de dominação, por onde nossa sociedade se constrói. O racismo age por todas as frestas das relações. Passa, inclusive, pela normalização da situação de vulnerabilidade na qual um grande contingente da população indígena se encontra no Brasil hoje. Uma guerra silenciada, em constante renovação, através de estruturas políticas colonialistas de séculos passados.

Imagem: Divulgação

Serviço
Cine Garagem
Mostra de Cinema Indígena
Sempre às 19h30
04/04 – quinta – Bicicletas de Nhanderú
14/04 – domingo – O mestre e o divino
18/04 – quinta – As Hiper-mulheres
21/04 – domingo – Martírio
28/04 – domingo – Xapiri

Informações à Imprensa: Shel Almeida, jornalista e assessora de comunicação

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