Publicação da carta de Pero Vaz de Caminha em 1817 mudou entendimento até então vigente

O dia de 22 de abril ainda hoje é marcado como a data oficial em que a Coroa Portuguesa anunciou o descobrimento das terras tupiniquins. Tal evento, por muito tempo, foi tido como um resultado acidental de uma aventura encabeçada por corajosos marinheiros, que arriscaram suas próprias vidas ao lançarem-se para o desconhecido rumo a novas terras. Entretanto, esta versão da história tem sido questionada.

A Coroa Portuguesa, mesmo antes de chegar onde hoje chamamos de Brasil, estava inserida em uma disputa econômica bastante acirrada, onde os estados nacionais europeus disputavam a expansão de suas atividades mercantis. Assim, cada avanço tecnológico, rota descoberta ou terra conquistada tornava-se um “segredo de Estado” preciosíssimo. Os governantes daquela época avaliavam os interesses e circunstâncias que envolviam tais exposições de maneira minuciosa, antes da notícia ser espalhada.

A frota portuguesa

O suposto plano envolvendo o descobrimento do Brasil pode ser sustentado por pistas. Uma das primeiras pistas é o fato de que Portugal exigiu que a Bula Inter Coetera fosse anulada, bem como fez a exigência de que o Tratado de Tordesilhas fosse assinado. Por qual motivo os portugueses sentiram a repentina necessidade de uma nova divisão das terras coloniais? Perguntas como essa têm intrigado historiadores há certo tempo.

Em 1500, o rei português Dom Manuel I deu autorização a Pedro Álvares Cabral para que este organizasse uma esquadra que supostamente deveria aportar na Índia. Para o propósito, foi designado o uso de oito naus, três caravelas, um navio de mantimentos e uma caravela mercante. Foram ainda convocados aproximadamente 1500 homens, incluindo capitães, tripulantes, soldados e autoridades religiosas.

Duarte Pacheco da Costa também participou de tal viagem. Costa era um cosmógrafo que, segundo alguns historiadores, teria participado de uma expedição secreta que haveria chegado no Brasil em 1498. Um ano após esta viagem sigilosa, segundo alguns indícios, os navegadores Américo Vespúcio e Vicente Pinzón também teriam vindo ao Brasil brevemente.

Pedro Álvares Cabral

Para celebrar a partida de Pedro Álvares Cabral e seus auxiliares para essa viagem ao Oriente, o rei organizou uma enorme festa. Tal pomposa comemoração contou com a presença de espiões de outras nações mercantis da Europa. Dessa forma, seria convincente que os portugueses pretendiam circunavegar a costa africana e realizar um novo contato comercial com os indianos. tal como Vasco da Gama fez.

Durante a viagem rumo à Índia, a esquadra de Cabral “repentinamente” seguiu uma rota marítima completamente inesperada. As embarcações tomaram distância da costa africana e realizaram uma passagem pela ilha atlântica de Cabo Verde. Após isso, seguiram uma viagem tranquila que percorreu 3600 quilômetros a oeste. Passados exatos 30 dias da passagem por Cabo Verde, os navegantes portugueses avistaram o famoso Monte Pascoal.

Ao chegar em território brasileiro, inicialmente chamado de Ilha de Vera Cruz, Pero Vaz de Caminha, o escrivão oficial, fez relato sobre as terras, porém sem citar surpresa por parte dos companheiros. Pedro Álvares Cabral, após reconhecer as terras, partiu para a Índia, não fazendo questão de contar à Coroa Portuguesa pessoalmente sobre a presença do novo território. Quem oficializou a descoberta e levou a carte de Pero Vaz ao rei foi o navegante Gaspar Lemos.

O encontro entre os povos indígenas e o povo português

Apesar da existência de tantas evidências justificando a ação premeditada dos portugueses, o enfrentamento dos mares era uma tarefa de grande peso, e isto não deve ser ignorado. A falta de água e alimentos, somada as más condições de higiene, tornava as viagens um desafio e tanto. Além disso, só depois da oficialização feita no ano de  1500 é que se vivenciaram os tantos outros episódios que, ao longo dos séculos, explica a peculiar formação do Brasil.

Da redação, com informações do site brasilescola.uol.com.br

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