A história do Casarão, do Solar Coronel Manoel Jorge Ferraz ou da Casa de Julia Ferraz começa em 1776, quando o português Francisco Lourenço Cintra se estabelece em Atibaia. Segundo a tradição familiar, ele foi o primeiro morador do Casarão, que então, era uma casa térrea, feita de taipa de pilão.

No século seguinte, entre 1834 e 1845, a parte de cima do Casarão foi construída pelo Coronel Manoel Jorge Ferraz com uma estrutura de madeira preenchida com taipa de mão. O Casarão era a sede do Partido Liberal, ponto de encontro para reuniões políticas e, inclusive, de participantes da Revolução Liberal de 1842.

Em 1901, as netas de Manoel Jorge compraram de seus irmãos as partes do prédio que haviam recebido. Dois anos depois, Dorothéa, Cristiana, Mônica e Júlia modernizaram a casa, com a retirada de rótulos e beirais, e se dedicaram a promover atividades e eventos artísticos e religiosos.

As irmãs também eram responsáveis pela hospedagem de autoridades religiosas, como o Arcebispo de São Paulo Dom Duarte Leopoldo e Silva e Dom Antônio Mariano de Assis. Por ocasião da Revolução de 1924, cederam a casa para abrigar as famílias retirantes da capital.

Julia Ferraz foi a última moradora do Casarão. Aos 86 anos, ela foi obrigada a sair de sua casa por ordem das autoridades locais que queriam derrubar o prédio para ampliar a praça.

Maria de Lourdes Ferraz, sobrinha de Julia, começou, então, uma luta pelo tombamento do Casarão junto ao CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico e Arquitetônico do Estado de São Paulo) e conseguiu impedir sua demolição. Em 1975, o Casarão teve oficializada sua importância histórica, arquitetônica e política para o estado de São Paulo.

Após o tombamento, Lourdes desenvolveu um trabalho pioneiro na promoção do artesanato no Casarão, que valorizou a cultura popular e abriu espaço para artesãos e artistas da cidade e da região. O sobrado também passou a receber exposições de artes, mostras de cultura popular, apresentações musicais e outros eventos culturais abertos para a população.

 

Em 2006, o telhado e o alicerce do prédio foram parcialmente reformados por um convênio entre a Prefeitura de Atibaia e a Petrobrás. Contudo, a ação do tempo, o não cumprimento de um contrato de restauro por parte da Prefeitura de Atibaia e a última reforma realizada na Praça da Matriz, obrigaram a família Ferraz a interromper as atividades desenvolvidas e o Casarão teve que ser fechado.

 

Reprodução: http://casaraojuliaferraz.com/