Me lembro de, no alto da minha arrogância adolescente, desprezar o sucesso da então estreante e pouco conhecida banda Linkin Park. “Eles não são metal de verdade”, eu dizia, como se meus menos de quinze anos de experiência me credenciassem a alguma credibilidade. Por sorte, o mundo não deu ouvidos a mim e nem a tantos outros que pensavam igual e viam o metal como algo parado no tempo, e só davam ouvidos aos chamados “clássicos”. O rock precisava evoluir, e Chester Bennington foi parte disso.

Líder e vocalista do Linkin Park, Chester cativou uma verdadeira legião de fãs no início dos anos 2000, sendo catapultado ao sucesso com o álbum Hybrid Theory, que conta com sucessos como “One Step Closer” e “In The End”. O álbum foi o mais vendido do ano de 2001 e é considerado o oitavo mais popular de todos os tempos.

Com a mistura de metal com hip hop e levadas eletrônicas, Chester e Mike Shinoda, ao lado do resto da banda, levaram o som pesado e distorcido e os vocais agressivos de volta às paradas de sucesso, sendo a porta de entrada para muitos jovens na época para o estilo. Quem teve contato com o Linkin Park aos treze anos de idade, ouvindo a banda nas rádios e programas de videoclipe de 2001, hoje já tem vinte e nove anos. O tempo provou que a banda também se tornaria um “clássico”.

Chester Bennington, infelizmente, nos deixou no último dia 20, cometendo suicídio em sua casa, próxima a Los Angeles. Suas letras, que traziam muitas de suas dores e percalços da adolescência e, por isso mesmo, faziam com que muitos se identificassem e se sentissem compreendidos, não foram o suficiente para aplacar a sua própria dor.

Cala-se mais uma importante voz da nossa música. Vai-se o homem, mas fica o legado que foi capaz de provar a muitos que eles estavam errados, e que o Linkin Park é hoje um dos grandes ícones de toda uma geração.

Por: Flávio Rodrigues