Promessa boa é promessa paga. “Isca volume 2 – Irreversível” (independente), da banda paulistana Isca de Polícia, acaba de chegar da fábrica para o contentamento de quem desliza os ouvidos pelas linhas de baixo e se encanta com a sonoridade criada pela vanguarda de Itamar Assumpção (1949-2003). O show de lançamento acontece neste sábado, dia 6 de outubro, às 21h30, na Casa Viva Piracaia, com ingressos antecipados a 30 reais, na Praça Julio Mesquita, 56,  Centro, Piracaia.

O disco, lançado oficialmente em setembro desse ano no SESC Pompéia, é a continuação do Volume 1, lançado em abril de 2017 no mesmo local, e vai além, trazendo as participações estelares de Arrigo Barnabé, Chico César e Zélia Duncan. Arrigo solta a voz em “Consciência contemporânea”, parceria com Paulo Lepetit; Chico coloca a alma em “Bolino”, dele e de Lepetit; e Zélia encorpa os vocais de “Se não tô bem”, feita pela cantora também com Lepetit. Outro dia, num show da Isca como convidada, Zélia disse que estava realizando o antigo sonho de ser uma Isca de Polícia. O sonho virou sulco digital.

Banda Isca de Polícia. Foto: Reprodução

“Isca volume 2 – Irreversível” nasce como segundo álbum autoral da banda fundada por Itamar Assumpção em 1979, a fim de gravar os seus álbuns independentes e acompanhá-lo em shows. Quando reuniram as composições para entrar em estúdio, os músicos notaram a proximidade do aniversário de 40 anos da banda.

“É uma data para comemorar muito pela sua importância. Há quatro décadas surgia uma nova linguagem musical na música popular brasileira. Uma linguagem que continua evoluindo e influenciando gerações. Arrigo, Rumo, Premê e Isca: todos seguem em contínua atividade, trazendo novidades a cada trabalho. Estamos na meia idade musical, com muito gás para fazer da música uma constante surpresa para velhos e novos ouvidos”, diz Paulo Lepetit, baixista favorito de Itamar e diretor musical da Isca.

Foto: Reprodução

Foi Paulo Lepetit, baixista favorito de Itamar e diretor musical da Isca, que revirou os próprios cadernos e saiu em busca de parceiros para tantas inéditas – o guitar hero Luiz Chagas assina com ele a faixa de abertura, “Danou-se”, a cantora e compositora Alzira E., coautora de maravilhas do Nego Dito, respingou tinta em “Meus olhos” e a poeta portuguesa Ana Vidal, lançou versos em “Às vezes”. A cantora Vange Milliet vem aumentando as suas composições e revela três nesta bolacha: “Supereternos”, dela e de Serena Assumpção (1977-2016), filha de Itamar; “Asas e azares”, com o poeta curitibano Paulo Leminski (1944-1989), parceiro de Itamar; e “Tomara”, de Vange com o próprio Itamar Assumpção. Uau!

Itamar foi a pessoa que primeiro me incentivou a compor. Ele e Chico César. Pegava os meus cadernos, escolhia escritos e trazia as melodias. Fizemos algumas músicas juntos – uma delas entrou no meu disco e no dele, simultaneamente. Foi a forma que escolhemos para explicitar a parceria. ‘Tomara’ é a continuação dessa parceria. Uma homenagem ao amigo. Já ‘Super eternos’ traz uma letra que a Serena fez especialmente para a Isca. Fala do pai dela e da banda. A música nasceu de forma espontânea, mas depois de um período de decantação. Estava lendo o poema na padaria, tomando um café, depois de uns três anos que ela tinha me dado a letra e a música saiu. ‘Asas e azares’ é a minha segunda parceria com Leminski. Mostrei toda tímida pra Alice Ruiz e ela gostou muito e comentou que ‘a gente precisa passar por certas coisas na vida para fazer uma canção dessas’”, conta Vange.

Casa Viva Piracaia. Foto: Reprodução

Uma das grandes surpresas deste álbum é a gravação de uma inédita do pai da Isca. “Beleléu via Embratel” foi composta em 1981 para concorrer ao Festival MPB Shell da Rede Globo. Não foi classificada. No ano seguinte, Itamar foi convidado pela emissora para apresentá-la na nova edição do festival, mas quis compor outra música. Fez então “Denúncia dos Santos Silva Beleléu”, uma provocação ao próprio evento, que mordeu o prêmio de Melhor Pesquisa Musical, criado especialmente para premiar a canção, jamais gravada até agora. “Cantávamos em shows da Isca e sempre foi uma das músicas recebidas com grande entusiasmo. Feliz que agora está registrada num disco nosso”, comemora Suzana Salles.

REBOBINANDO…

Em cena desde 1979, foram muitas as formações da Isca de Polícia. Uma coisa era certa: Paulo Lepetit abraçaria o baixo. Lepetit passou a organizar esse cardume em 2004, com Jean Trad (guitarra), o único que estava na primeira formação da banda e no primeiro disco do Itamar; Suzana Salles (voz) e Luiz Chagas (guitarra), dos primórdios, circularam pela banda em diferentes fases; Vange Milliet (voz) entrou na pesca um tanto à frente e nunca mais saiu e Marco da Costa (bateria), em algum momento, assumiu as baquetas no lugar da lenda Gigante Brazil (1952-2008). Desde 2017, o jovem Vitor Cabral se reveza com Marquinhos na bateria.

Todos realizam trabalhos próprios, mas essa sonoridade específica só acontece quando a Isca está reunida. Eles criaram uma linguagem musical com identidade marcante, que vem surpreendendo público e crítica e continua em evolução. “Assim que Itamar se foi, eu e Suzana ficamos apreensivas quando nos chamaram para interpretar seus clássicos. Ao longo do processo, desenvolvemos um jeito de cantar juntas, timbrar as vozes e dividir o espaço cênico, que se incorporou à essência da Isca”, explica Vange.

Foto: Reprodução

Itamar segue atemporal. Tanto que houve um redescobrimento da sua obra após a sua morte. A Isca de Polícia voltou a ser convidada para diversas homenagens pelo Brasil e, em 2010, esteve diretamente envolvida na “Caixa Preta”, lançada pelo Selo Sesc, com toda a discografia de Itamar e mais dois álbuns de inéditas com convidados – Lepetit fez a produção de uma das bolachas. Foi quando a Isca viu o seu público crescer e o seu potencial de ir além.

“Foi uma mistura de fatores: os lançamentos da “Caixa” e do documentário ‘Daquele instante em diante’, em 2011, com alguns projetos em homenagem a Itamar pelo Brasil, e também o sucesso de Anelis Assumpção, Tulipa Ruiz, Dani Black e Leo Cavalcanti, filhos da Vanguarda Paulista, e de outros jovens que beberam na nossa fonte, como Kiko Dinucci, Iará Rennó e Andreia Dias. Tudo isso junto despertou a curiosidade dessa molecada pelas origens. E Itamar e Isca estão lá”, pondera Paulo Lepetit. É irreversível.

Serviço

Casa Viva Piracaia

Endereço: Centro, Praça Julio Mesquita, 56, Piracaia

Funcionamento: de quinta a sábado a partir das 19h

Reservas e informações: 11 97292-7641 (WhatsApp/Vivo/SMS – com Ana Laura)

E-mail: [email protected]

Página do Facebook: casavivapiracaia

Instagram: @casaviva.piracaia

Informações à Imprensa: Ana Laura Mosquera, ass. de comunicação

Foto ilustrativa da matéria: Gal Oppido

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