Na última quinta-feira, dia 03 de janeiro, a Prefeitura de Bragança Paulista reapresentou o projeto de reforma do antigo Teatro Carlos Gomes, durante coletiva de imprensa. Elaborado pelo arquiteto Affonso Risi Junior ainda na administração de João Afonso Sólis (Jango), o projeto chegou a ser apresentado à imprensa no dia 11 de junho de 2010. A retomada das obras no teatro busca o fortalecimento do município de Bragança Paulista como destino turístico.

Durante a coletiva de imprensa, Affonso Risi Junior, arquiteto responsável pelo projeto, afirmou que “uma cidade do porte de Bragança Paulista merece uma obra como essa e deve pensar grande, como no início de sua urbanização e as grandes conquistas dos bragantinos no final do século XIX com a Ferrovia Bragantina, a Usina de Energia, a Companhia Telefônica, a Fábrica de Lâmpadas – pioneira no país – e o Teatro de Ópera – Carlos Gomes”.  Affonso também afirmou que, ao longo dos anos, o antigo prédio sofreu grandes intervenções a cada ocupação, como o Colégio São Luiz e o Colégio João Carrozo, e que procurou resgatar as estruturas originais do teatro no projeto de restauro e reforma para transforma-lo em um Centro Cultural.

Foto: Reprodução

Risi também relatou que “O primeiro Teatro do interior do Estado de São Paulo foi superdimensionado para Bragança Paulista, que possuía cerca de 8 mil habitantes na zona urbana da cidade, considerando que olocal possuía 1200 lugares. Por isso seus anos de funcionamento na cidade foram curtos, entre 8 e 10 anos, apenas”. “O primeiro Teatro do interior do Estado de São Paulo foi superdimensionado para Bragança Paulista, que possuía cerca de 8 mil habitantes na zona urbana da cidade, considerando que o local possuía 1200 lugares. Por isso seus anos de funcionamento na cidade foram curtos, entre 8 e 10 anos, apenas”, complementou.

O projeto do novo Centro Cultural é integrado por saguões, átrio, teatro de arena para 100 espectadores, galeria de arte, salões de exposições, salas para oficinas, workshops e cursos, recepção, pátio, guarita, sanitários, camarins, 8 salas de aula, administrativo, secretaria, elevadores, Teatro Carlos Gomes para 284 espectadores com mezaninos, sala de apoio, Secretaria de Cultura e Turismo, biblioteca adulta com acervo para 22.500 livros e biblioteca infantil, sala de leitura, salão de atos públicos, elevador panorâmico, entre outros espaços totalmente adaptados para acessibilidade.

Na ocasião, o prefeito de Bragança Paulista, Jesus Chedid, anunciou que está marcada para o dia 17 de janeiro, às 9h30, a abertura da Concorrência Pública nº 16/2018. A licitação visa contratar empresa especializada para a fase 3 das obras de reforma e restauração do prédio.

Foto de André Prata

As fases 1 e 2 foram executadas com recursos oriundos de convênios assinados em 2009 e 2010. Tais recursos eram do Departamento de Apoio ao Desenvolvimento dos Municípios Turísticos (DADETUR).

Em virtude da não conclusão das obras, entretanto, no final de 2016 o Governo do Estado cancelou os empenhos desses convênios.Durante a coletiva, o secretário de Obras, Paulo Armando, afirmou que fará um acompanhamento rígido nas obras, adotando o sistema de medição e cronograma das obras.

A nova fase das obras está orlada em R$ 7.997.300,83, sendo 86,17% recursos do DADETUR 2018 (R$ 6.891.570,00) e 13,83% contrapartida da Prefeitura (R$ 1.105.730,83). O novo prazo estipulado para a entrega desta fase da reforma é de 9 meses. A Prefeitura também terá que mobiliar o imóvel.

Breve História do Teatro Carlos Gomes

No final do século XIX, o município de Bragança Paulista vivia o progresso de uma cidade bem localizada, em uma rota de riqueza e pleno desenvolvimento, com iniciativas significativas como a Estrada de Ferro Bragantina (inaugurada em 1884) e o escoamento das grandes produções de café da região. Neste período de prosperidade, alguns cavalheiros da cidade, tendo à frente os cidadãos Felippe Rodrigues de Siqueira e Izidro Gomes Teixeira, resolveram construir um teatro a frente do seu tempo, que se tornaria um dos prédios mais emblemáticos de Bragança.

A construção do teatro, cujo prédio tinha capacidade de receber mais de mil pessoas, foi financiada pelos fazendeiros de café da região entre os anos de 1892 e 1894. A inauguração Teatro Carlos Gomes, primeiro do interior do Estado de São Paulo, foi realizada com grande entusiasmo cultural, e contou com as apresentações das óperas Guarany e Bohème pela Companhia Lyrica ROTOLI E PERI.

Foto: Reprodução

O Teatro Carlos Gomes funcionou por quase dez anos, trazendo grandes espetáculos e trabalhos de renomadas companhias à Bragança Paulista. Infelizmente, o teatro também sofreu críticas devido à sua localização, já que ele era afastado do então centro urbano, localizando-se próximo do cemitério da cidade e da Cadeia Pública. Isto, somado ao baixo número de espectadores e ao declínio da riqueza cafeeira, fez com que o teatro passasse por uma dura crise. O espaço chegou a ser utilizado para bailes, chás da tarde da alta sociedade bragantina, ringue de patinação, espaço para tiro ao alvo, barracão carnavalesco, estabelecimento de lavagem de roupa e até fábrica de jacás para exportação de toucinho. Foram os primeiros anos de abandono e à mercê da ação do tempo, chegando à falência em meados de 1920.

Por volta de 1925, a Câmara adquiriu o local e o transformou no Colégio São Luiz, escola mantida pela Diocese de Bragança Paulista, tendo como fundador Dom José Maurício da Rocha, primeiro bispo da cidade, e primeiros professores os padres da paróquia, tornando-se referência. O Colégio, entretanto, encerrou suas atividades no ano de 1968.

Dos anos 70 em diante, o prédio abrigou inúmeras outras escolas, instituições e atividades, com destaque para a primeira sede da Faculdade de Ciências e Letras de Bragança Paulista, hoje Fesb, e para o Colégio Técnico João Carrozo (1980-2000).

Foto: Reprodução

Após isso, o imóvel abrigou outros empreendimentos e colégios, como o João Carrozzo, fechado no ano de 2000. No mesmo ano, o imóvel foi tombado como patrimônio cultural e artístico do município pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural de Bragança Paulista (Condephac), passando a ser adquirido pela Prefeitura em 2005.

Nos últimos anos, o prédio ficou fechado e totalmente abandonado, o que tornou comum a ocupação do local por pichadores e usuários de drogas. O abandono também fez com que em junho de 2010 um incêndio criminoso destruísse parte do prédio. Agora, a expectativa é que o novo Centro Cultural torne-se uma referência para o município de Bragança Paulista e região, fomentando a arte, a cultura e o turismo .


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