O início do século XX foi marcado por grandes transformações sociais e econômicas no Brasil e no mundo, e em Atibaia tal contexto não poderia ser diferente. Se ao longo do século XIX Atibaia viu o número de pequenas fábricas de troles, oficinas, moinhos e carroças crescer, após a Proclamação da República a cidade pode contemplar e usufruir do esplendor e dos benefícios do progresso que o período industrial proporcionou.

Foto: Reprodução

A instalação das redes de água, luz e esgoto, o alargamento das ruas e o ajardinamento das praças foram alguns dos fatores contribuintes para o desenvolvimento e urbanização de Atibaia. O advento da máquina de beneficiar café também foi outra das maravilhas industriais que colocaram Atibaia no mapa econômico nacional. A crise do café, entretanto, abalaria a economia do município, exigindo deste uma alternativa urgente. Foi neste contexto que surgiu a Fábrica de Tecidos São João.

Inaugurada em 1911 em um antigo casarão na Rua José Bim pelos atibaianos major Juvenal Alvim, Francisco Aguiar Peçanha, Benedito Aguiar Peçanha, Benedito de Almeida Bueno, Francisco Pires de Camargo, Joaquim Pires de Camargo, Florêncio Pires de Camargo e Olegário Barreto, a fábrica marcou a vida de muitas famílias de Atibaia. Algum tempo depois, passou a se chamar Companhia Têxtil Brasileira. Lá eram fabricados produtos de algodão, brim e xadrez, comercializados em todos os estados brasileiros na época.

Foto: Reprodução

A companhia ampliou-se ao longo da primeira metade do século passado. Instalada em prédio próprio, com paredes de tijolos à vista no charmoso estilo inglês, tinha área construída com mais de 15.000 m², com 80% do maquinário vindo da Inglaterra e mais de 200 teares. Em seu livro “Terra de Jerônimo – Histórias do Quase Paraíso”, Gilberto Sant’Anna, prefeito de Atibaia entre 1983 e 1988, exprime a importância da fábrica: “Indiferente ao jogo natural da venda e compra, o apito da fábrica de tecidos fez história. Anunciou a industrialização atibaiense do século XX, impondo disciplina e horários aos habitantes em geral. O major Juvenal Alvim articulou o surgimento da empresa como alternativa econômica à crise do café, iniciando dessa forma, pioneiramente, a industrialização do leste paulista (Bragança Paulista, Vale do Paraíba). A extraordinária visão do futuro privilegiou o capital produtivo, em detrimento da especulação imobiliária. Na década de cinquenta, ali trabalhavam oitocentos empregados.”

Na década de 1960, junto à desmontagem da Estrada de Ferro, a Companhia Têxtil Brasileira encerrou suas atividades para sempre, deixando órfãos os trabalhadores que ali viveram, trabalharam e construíram relações. Definitivamente, a Companha Têxtil Brasileira fez história em Atibaia!

Texto* da Redação da Revista Atibaia Connection

* Reprodução do texto publicado na 12ª edição da Revista Atibaia Connection

Deixe uma resposta