Atibaia vai receber o primeiro Festival Internacional de Teatro Comunitário Panamérica Utópica. Serão três mostras de espetáculos com apresentações de companhias nacionais e internacionais e um conjunto de palestras, rodas de conversa e oficinas sobre teatro comunitário. O projeto visa a formação de plateias e a promoção de acesso democrático para o teatro por meio de encontros – parte deles incorporado pelo já conhecido Sarau da Jandyra, no Solar do Casarão Julia Ferraz. Serão três mostras que acontecerão, concomitantemente, de 11 a 20 de agosto de 2017 nas cidades de Atibaia, Guarulhos e São Paulo. O homenageado dessa 1ª edição do festival será Ilo Krugli.

Encontros vêm sendo feitos para organizar de forma horizontal as ações dentro da Mostra Atibaia (fotos) e rodas de conversa têm acontecido nas três cidades, com a participação de artistas, agentes culturais e convidados. Em Atibaia, a grande Roda, já no Festival, será em 13 de agosto (domingo) e o recorte escolhido pela organização do festival foi o Protagonismo das Mulheres. O “Panamérica” pretende inovar, como o fez a obra de José Agrippino e as canções de Caetano, rompendo as barreiras do comum e da burocracia, entrecruzando linguagens e fronteiras.

Em parceria com o Casarão Júlia Ferraz e a ASPAS, o Panamérica Utópica já está em pleno movimento. Em Atibaia tem sido realizado o Sarau da Jandyra, evento feito só por mulheres cujo objetivo é trazer o discurso feminino e feminista para a sociedade por meio da arte e, ao mesmo tempo, questionar a sociedade paternalista, machista e misógina. Para a atriz, cantora e compositora Isadora Titto,  é possível se estruturar em todos os níveis da sociedade. “Penso que nós, artistas, a Secretaria de Cultura e o Conselho, podemos nos organizar de uma maneira horizontal, em que todos podem se envolver e da maneira que acharem melhor”. Ela vê o projeto como algo positivo para a cidade e para a classe artística. “A coisa que eu mais vejo de bacana nesse processo todo é a possibilidade de organizar o teatro, assim como a possibilidade de arejar esse segmento”, afirma a atriz, que cursa a Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (EAD – ECA- USP) e já teve duas premiações.

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Em São Paulo, a grande Roda será em 16 de agosto, quarta-feira, e o recorte será sobre o Teatro Latino-americano, em parceria com o Teatro Ventoforte, um dos mais importantes grupos teatrais da história artística do Brasil cuja sede fica no Parque do Povo – em Itaim Bibi (Zona Sul de São Paulo).

Em Guarulhos, a grande Roda de Conversa será no dia 19 (sábado), em parceria com o Grupo de Teatro C.U.C.A. (Consciente Urbano Coletivo Artístico) atuante na cidade há sete anos. Lá, o recorte será sobre o Teatro Comunitário, intercambiando a experiência local do grupo com a comunidade do bairro do Carmela – periferia de Guarulhos, com os convidados do festival e suas experiências em seus locais de atuação.

Essa possibilidade permite, além do intercâmbio com linguagens distintas como a mímica, o teatro de rua, comunitário e o teatro tradicional, a arte do encontro, segundo a atriz: “ a alegria do encontro produz uma chama que, de fato, acaba alimentando e apontando caminhos que as pessoas em geral não veem. Existe um caminho possível para se trabalhar com teatro, realmente, essa coisa mais artesã mesmo, do fazer artístico diário com a sua comunidade”.

Os organizadores e apoiadores entendem que o festival abre portas para outras áreas além da arte e da cultura, desdobrando-se para a educação – com espetáculos para as escolas – e o turismo. “Creio que a possibilidade de um diálogo com a Secretaria de Cultura pode fomentar o turismo na cidade. Existe um potencial turístico no evento e na Mostra toda, que envolve Guarulhos e São Paulo”, disse Isadora Titto. Para ela, o evento vai mais além. “Se isso pega é bom para todos porque vira um polo, assim como os grandes festivais nacionais em Curitiba e Brasília.  Posteriormente, inserimos no calendário nacional, o que seria genial e, porque não, da América Latina”, conclui.

Ilo Krugli, o homenageado da vez

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Ilo Krugli (acima) nasceu em Buenos Aires em dezembro de 1930 e se naturalizou brasileiro em 1961. No Brasil, trabalhou no Rio de Janeiro e depois em São Paulo, nos anos 80. Foi diretor de teatro, ator, artista plástico, figurinista e escritor. Krugli é uma das principais figuras do teatro para crianças no Brasil. Em 1974 recebeu o Prêmio Molière e a Indicação para Prêmio Especial. Depois disso foram mais de 40 espetáculos e premiações, incluindo o Prêmio APCA, Mambembe e APETESP.

Fonte: Correio de Atibaia