Na primeira quinta-feira após a Solenidade da Santíssima Trindade, a Igreja celebra a instituição do Santíssimo Sacramento da Eucaristia, sendo o único dia do ano em que o Santíssimo Sacramento sai em procissão pelas ruas, agradecendo e louvando a Deus pelo dom da Eucaristia, onde o próprio Senhor se faz presente como alimento para nossas almas.

A festa surgiu no século XII, na Bélgica, por iniciativa da freira Juliana de Mont Cornillon (1193-1258), que recebia visões onde o próprio Jesus lhe pedia uma festa litúrgica anual em honra do sacramento da Eucaristia.

A freira Juliana de Mont Cornillon

Em Bolsena, Itália, aconteceu o milagre: da hóstia consagrada começaram a cair gotas de sangue. O Papa Urbano, que vivia perto de Bolsena, onde também vivia São Tomás de Aquino, informado do milagre, então, ordenou ao Bispo Giácomo que levasse a relíquia de Bolsena para Orvietto, o que foi feito em procissão. Quando o Papa encontrou a procissão, teria pronunciado diante das relíquias eucarísticas as palavras: “Corpus Christi” – o Corpo de Cristo.

Em 1247 realizou-se a primeira procissão eucarística pela ruas de Liége. Já em 11 de agosto de 1264, o Papa João XXII emitiu a Bula “Transiturus de Hoc Mundo”, onde prescreveu que na quinta-feira após a oitava de Pentecostes, fosse oficialmente celebrada a festa em honra ao Corpo de Cristo. Em 1317, após publicação na Constituição Clementina, dá-se o dever de se levar a Eucaristia em procissão pelas vias públicas.

Santíssimo Sacramento da Eucaristia

No início, os enfeites eram feitos com folhas e flores secas, para perfumar o caminho da procissão. Depois vieram elementos como a serragem tingida em várias cores, pó de café usado, cal, sal, areia, tampinhas de garrafas, casca de ovos, no geral, materiais que seriam descartados. Mas o povo foi se aprimorando nos desenhos, elaborando os moldes de flores, de igrejas, de símbolos relativos à data, mensagens bíblicas e até se manifestando contra as injustiças.

 

Hoje, podemos encontrar os “tapetes solidários”, feitos com cobertores, mantas e agasalhos. Os “tapetes sociais”. onde os artesãos das cidades confeccionam artigos que depois são vendidos num bazar. E os tapetes artísticos, feitos com fuxicos, tecidos, artesanatos e outros materiais.

Em Atibaia, várias são as paróquias que confeccionam seus tapetes, como a São João Batista, São Benedito, Cristo Rei e São Pedro, cada um com a sua particularidade, mas a maioria deles com a serragem.

Tapete de Corpus Christi da Paróquia Cristo Rei, em Atibaia

O evento já tem décadas de tradição em Atibaia. A edição de 14 de junho de 1925 do Jornal a Cidade, por exemplo, anunciava: “Correu com muito brilhantismo, em nossa paróquia, a festa de Corpus Christi, cuja procissão, imponentíssima, percorreu as principais ruas da cidade, galhardamente enfeitadas”.

A confecção de tapetes de Corpus Christi em Atibaia têm crescido a cada ano. Em 2016, após alguns anos sem a tradição dos tapetes de serragem, a paróquia de São João Batista preparou um tapete de flores e tecidos no centro da cidade. Já a Paróquia Cristo Rei tem a tradição de confeccionar o tapete em frente à igreja com a colaboração de pastorais e da comunidade, verdadeira demonstração de fé e devoção.

Texto de: Lilian Vogel

Gerente de Folclore e Cultura Popular da Prefeitura de Atibaia

Comissão Paulista de Folclore

Comissão Nacional de Folclore

Foto ilustrativa da matéria: Replicação

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